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A história de Israel é uma das mais interessantes que pode encontrar nos diferentes países da Europa, é uma história longa, cheia de riqueza cultural, mas também de sangue, de conflitos e de tensões. Durante mais de 3000 anos que começaram a escrever as primeiras páginas deste país até os dias de hoje, tem acontecido muitas mudanças neste país. A tradição judaica defende que a Terra de Israel tem sido uma Terra Santa judaica e uma Terra prometida por quatro mil anos, desde o tempo dos patriarcas. A terra de Israel guarda um lugar especial nas obrigações religiosas judaicas, englobando os mais importantes locais do judaísmo (como os restos do Primeiro e Segundo Templos do povo judeu). Conectado com estas duas versões do templo estão ritos religiosos significativos que simbolizam a origem de muitos aspectos do judaísmo moderno. Começando por volta do século XI a.C., o primeiro de uma série de reinos e estados judaicos estabeleceram um controle intermitente sobre a região que durou mais que um milênio.
A menorá sequeada de Jerusalém, imagem do Arco de Tito.Sob o domínio assírio, babilônico, persa, grego, romano, bizantino e (brevemente) sassânido, a presença judaica na região diminuiu por causa de expulsões em massa. Em particular, o fracasso na revolta de Bar Kokhba contra o Império Romano em 132 a.C. resultou em uma expulsão dos judeus em larga escala. Foi durante este tempo que os romanos deram o nome de Syria Palæstina à região geográfica, em uma tentativa de apagar laços judaicos com a terra. No entanto, a presença judaica na Palestina permaneceu constante. A principal concentração de população judaica transferiu-se da Judéia para Galiléia. A Mishná e o Talmud de Jerusalém, dois dos textos judaicos mais importantes, foram compostos na região durante esse período. A terra foi conquistada do Império Bizantino em 638 d.C. durante o período inicial das conquistas muçulmanas. O niqqud hebraico foi inventado em Tiberíades nessa época. A área foi dominada pelos omíadas, então pelos abássidas, cruzados, os corésmios e mongóis, antes de se tornar parte do império dos mamelucos (1260-1516) e o Império Otomano em 1517.
Os judeus que viviam a Diáspora aspiravam há muito tempo em retornar à Zion e a Terra de Israel. Essa esperança e anseio foi articulada na Bíblia e é um tema central no Sidur. Começando no século XII, a perseguição católica aos judeus levou a um fluxo constante deixar a Europa rumo a Terra Santa, aumentando ainda após os judeus serem expulsos da Espanha em 1492. Durante o século XVI grandes comunidades judaicas foram formadas nas Quatro Cidades Santas (Jerusalém, Hebron, Tiberias e Safed), e na segunda metade do século XVIII, várias comunidades Hasidic vieram da Europa Oriental rumo a Terra Santa.
Theodor Herzl, visionário do Estado judeu, em 1901.A primeira grande onda de imigração moderna, conhecida como a Primeira Aliyah (hebraico: עלייה), começou em 1881, quando os judeus fugiram dos pogroms na Europa Oriental. Enquanto o movimento sionista já existia, em teoria, Theodor Herzl foi creditado como o fundador do sionismo político, um movimento que pretendia estabelecer um Estado judaico na terra de Israel, levando a Questão judaica para o plano internacional. Em 1896, Herzl publicou Der Judenstaat (O Estado Judeu "), que oferece a sua visão de um futuro Estado judeu, no ano seguinte ele presidiu o primeiro Congresso Mundial Sionista.
A Segunda Aliyah (1904-1914), começou após o pogrom de Kishinev. Cerca de 40.000 judeus estabeleceram-se na Palestina. Tanto a primeira quanto a segunda onda de imigrantes foi principalmente de judeus ortodoxos, porém na Segunda Aliyah também vieram alguns socialistas pioneiros que criaram o movimento kibbutz. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Ministro Britânico de Relações Exteriores, Arthur Balfour emitiu o que ficou conhecido como a Declaração de Balfour, que diz "O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de um Lar Nacional para o Povo Judeu...". A pedido de Edwin Samuel Montagu e de Lord Curzon, uma linha foi inserida na declaração afirmando "que seja claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas na Palestina, ou os direitos e estatuto político usufruídos pelos judeus em qualquer outro país." A Legião Judaica, um grupo composto principalmente por batalhões de voluntários sionistas, assistiu a conquista Britânica da Palestina. Grupos árabes de oposição ao plano de 1920 estimularam motins na Palestina e como resposta dos judeus a formação da organização judaica conhecida como a Haganah (que significa "A Defesa", em hebraico), originária dos grupos Irgun e Lehi.
Em 1922, a Liga das Nações concedeu ao Reino Unido um mandato na Palestina em condições semelhantes à Declaração Balfour. A população da área neste momento era predominantemente muçulmana, enquanto a maior área urbana da região, Jerusalém, era predominantemente judaica.
A imigração judaica continuou com a Terceira Aliyah (1919-1923) e a Quarta Aliyah (1924-1929), que juntas trouxeram 100.000 judeus para a Palestina. Na sequência dos tumultos em Jaffa, nos primeiros dias do mandato, os britânicos restringiram a imigração judaica ao território marcado para o Estado judaico e criaram a Transjordânia. A ascensão do nazismo na década de 1930 levou a Quinta Aliyah, com um fluxo de um quarto de milhão de judeus. Este fluxo resultou na revolta árabe de 1936-1939. Com os países ao redor do mundo recebendo refugiados judeus que fugiam do Holocausto, um movimento clandestino conhecido como Aposta Aliyah foi organizado para levar os judeus para a Palestina. Até o final da Segunda Guerra Mundial, os judeus representavam 33% da população da Palestina, quando eram 11% em 1922.
Após 1945, o Reino Unido se tornou cada vez mais envolvido em um conflito violento com os judeus. Em 1947, o governo britânico acabou com o Mandato da Palestina, declarando que era incapaz de chegar a uma solução aceitável para ambos os lados, árabes e judeus. A recém-criada Organização das Nações Unidas recomendou a aplicação do Plano de partição da Palestina, aprovado pela Assembléia Geral das Nações Unidas através da Resolução 181 de 29 de novembro de 1947, propondo a divisão do país em dois Estados, um árabe e um judeu. Segundo esta proposta, a cidade de Jerusalém seria uma cidade internacional - um corpus separatum - administrada pela ONU para evitar um possível conflito sobre o seu estatuto, durante um período de 10 anos. A comunidade judaica aceitou o plano, mas a Liga Árabe e a Comissão Superior Árabe o rejeitaram. Em 1 de dezembro de 1947 o Comissão Superior Árabe proclamou uma greve de 3 dias e os grupos árabes começaram a atacar alvos judeus. Uma guerra civil começou com os judeus inicialmente na defensiva, mas gradualmente partindo para o ataque. A economia árabe-palestina desmoronou e 250.000 árabes-palestinos fugiram ou foram expulsos.
David Ben-Gurion discursa, em 14 de maio de 1948, na Declaração do Estado de Israel com um retrato de Theodor Herzl ao fundo.Em 14 de maio de 1948, um dia antes do fim do Mandato Britânico, a Agência Judaica proclamou a independência, nomeando o país de Israel. No dia seguinte, cinco países árabes - Egito, Síria, Jordânia, Líbano e Iraque, invadiram Israel, iniciando a Guerra árabe-israelense de 1948. Marrocos, Sudão, Iêmen e Arábia Saudita também enviaram tropas para ajudar os invasores. Após um ano de combates, um cessar-fogo foi declarado e uma fronteira temporária, conhecida como Linha Verde, foi estabelecida. Os territórios anexados da Jordânia tornaram-se conhecidos como Cisjordânia e Jerusalém Oriental, o Egito e assumiu o controle da Faixa de Gaza. Israel foi admitido como membro das Nações Unidas em 11 de maio de 1949. Durante o conflito 711.000 árabes, de acordo com estimativas das Nações Unidas, ou cerca de 80% da população árabe anterior, fugiram do país. O destino dos refugiados palestinos de hoje é um grande ponto de discórdia no conflito israelo-palestino.
Nos primeiros anos do Estado, o Sionismo trabalhista, movimento sionista liderado pelo então Primeiro-ministro David Ben-Gurion dominava a política israelita. Esses anos foram marcados pela imigração maciça dos sobreviventes do Holocausto e um influxo de judeus perseguidos em terras árabes. A população de Israel aumentou de 800.000 para dois milhões entre 1948 e 1958. A maioria dos refugiados que chegaram sem posses e foram alojados em campos temporários conhecidos como ma'abarot. Em 1952, mais de 200.000 imigrantes viviam nestas "cidades tenda". A necessidade de resolver a crise levou Ben-Gurion a assinar um acordo com a Alemanha Ocidental que desencadeou protestos em massa de judeus que eram contrários a idéia de Israel "fazer negócios" com a Alemanha.
Durante a década de 1950, Israel foi atacado contantemente por militantes, principalmente a partir da Faixa de Gaza, que estava sob controle egípcio. Em 1956, Israel criou uma aliança secreta com o Reino Unido e a França destinada a recapturar o canal do Suez, que os egípcios tinham nacionalizado. Apesar da captura da Península do Sinai, Israel foi forçado a recuar devido à pressão dos Estados Unidos e da União Soviética, em troca de garantias de direitos marítimos de Israel no Mar Vermelho e no Canal.
No início da década seguinte, Israel capturou Adolf Eichmann, um dos criadores da Solução Final escondido na Argentina, e o trouxe para julgamento. O julgamento teve um impacto importante sobre a conscientização do público sobre o Holocausto, Eichmann foi única pessoa executada por Israel, embora John Demjanjuk tivesse sido condenado a morrer antes de sua condenação ser anulada pela Suprema Corte de Israel.
Ao longos dos anos os países árabes, recusaram-se a manter relações diplomáticas com Israel não reconhecendo a existência do estado judeu, além disso, árabes nacionalistas liderados por Nasser lutaram pela destruição do Estado judeu. Em 1967, o Egito, a Síria e a Jordânia mandaram suas tropas até as fronteiras israelenses, expulsando as forças de paz da ONU e bloqueando o acesso de Israel ao Mar Vermelho. Israel viu essas ações como um casus belli para um conflito, iniciando a Guerra dos Seis Dias, Israel conseguiu uma vitória decisiva nesta guerra e capturou os territórios árabes da Cisjordânia, Faixa de Gaza, Península do Sinai e as Colinas de Golã. Desde 1949 a chamada Linha Verde passou a ser a fronteira administrativa entre Israel e os territórios ocupados. As fronteiras de Jerusalém foram ampliadas por Israel que incorporou Jerusalém Oriental. A Lei de Jerusalém, promulgada em 1980, reafirmou esta medida e reascendeu polêmica internacional sobre o estatuto de Jerusalém.
Primeira-Ministra Golda Meir, que renunciou após a Guerra do Yom Kippur.O fracasso dos Estados Árabes na guerra de 1967 levou ao surgimento de organizações não-estatais árabes no conflito, sendo a mais importante a Organização de Libertação da Palestina (OLP), que foi concebida sob o lema "a luta armada como única forma de libertar o pátria." No final da década de 1960 e início da década de 1970, grupos palestinos lançaram uma onda de ataques contra alvos israelenses ao redor do mundo, incluindo um massacre de atletas israelitas nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972, em Munique na Alemanha. Israel reagiu com a Operação Cólera de Deus, no qual os responsáveis pelo massacre de Munique foram encontrados e executados.
Em 6 de outubro de 1973, no Yom Kippur, dia mais santo do calendário judaico, os exércitos do Egito e da Síria lançaram um ataque surpresa contra Israel. A guerra terminou em 26 de outubro com o êxito israelense, que conseguiu repelir as forças egípcias e sírias, porém sofrendo grandes perdas. Um inquérito interno exonerou o governo israelense da responsabilidade pelo conflito, porém um ato da raiva público da então Primeira-Ministra Golda Meir, forçou-a a renunciar.
As eleições de 1977 do Knesset marcaram uma virada importante na história política israelense, quando Menachem Begin do Partido Likud assumiu o controle do Partido Trabalhista. Mais tarde, no mesmo ano, o então Presidente Egípcio Anwar El Sadat fez uma visita a Israel e falou perante o Knesset, esta foi a primeira vez em que um Chefe de Estado árabe reconhecia o estado de Israel. Nos dois anos que se seguiram, Sadat e Menachem Begin assinaram o Acordo de Camp David] e da Tratados de Paz Israel-Egito. Israel retirou-se da Península do Sinai e concordou em iniciar negociações sobre uma possível autonomia para palestinos em toda a Linha Verde, um plano que nunca foi executado. O governo israelense começou a encorajar assentamentos judeus no território da Cisjordânia, criando atritos com os palestinos que viviam nessas áreas.
Em 7 de junho de 1981, Israel bombardeou pesadamente o reator nuclear Osirak no Iraque durante a chama Operação Ópera, com fim de desabilitá-lo. A inteligência israelense tinha uma suspeita de que o Iraque pretenda utilizar este reator para o desenvolvimento de armas nucleares. Em 1982, Israel interveio na Guerra Civil Libanesa, destruindo as bases da Organização de Libertação da Palestina, que, em resposta, lançou ataques e mísseis ao norte de Israel. Esse movimento se desenvolveu para a Guerra do Líbano de 1982. Israel retirou a maior parte se suas tropas do Líbano, em 1986, mas manteve uma "zona de segurança" até 2000. A Primeira Intifada, um levante palestino contra Israel, eclodiu em 1987, com ondas de violência nos territórios ocupados. Ao longo dos seis anos seguintes, mais de um milhão de pessoas foram mortas, muitas das quais por atos internos de violência dos palestinos. Durante a Guerra do Golfo em 1991, a OLP e muitos palestinos apoiados pelo líder iraquiano Saddam Hussein lançaram ataques de mísseis contra Israel.
Yitzhak Rabin e Yasser Arafat dão as mãos, acompanhados por Bill Clinton, quando ocorreu a assinatura dos Acordos de Oslo, em 13 de setembro de 1993.Em 1992, Yitzhak Rabin torna-se Primeiro-Ministro Yitzhak Rabin e seu partido promove compromissos com os vizinhos de Israel. No ano seguinte, Shimon Peres e Mahmoud Abbas, em nome de Israel e da OLP, assinaram os Acordos de paz de Oslo, que deu à Autoridade Nacional Palestina o direito de auto-governar partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. A intenção era o reconhecimento do direito do estado de Israel existir e uma forma de dar fim ao terrorismo. Em 1994, o Tratado de paz Israel - Jordânia foi assinado, sendo a Jordânia o segundo país árabe que normalizou suas relações com Israel.
O apoio público dos árabes aos Acordos foi danificado pelo Massacre da Gruta dos Patriarcas, pela continuação dos assentamentos judeus,[89] e à deterioração das condições econômicas. O apoio da opinião pública israelense aos Acordos diminuiu quando Israel foi atingido por ataques suicidas palestinos. Em novembro de 1995 pelo assassinato de Yitzhak Rabin por um militante de extrema-direita judeu, chocou o país.
No final da década de 1990, Israel, sob a liderança de Benjamin Netanyahu, desistiu de Hebron, assinando o Memorando de Wye River, dando maior controle da região para a Autoridade Nacional Palestina.
Ehud Barak, eleito primeiro-ministro em 1999, começou o novo milénio, retirando forças israelenses do Sul do Líbano e realizando negociações com a Autoridade Palestina Yasser Arafat e o Presidente dos Estados Unidos Bill Clinton durante a Cúpula de Paz do Oriente Médio em Camp David. Durante a cúpula, Barak ofereceu um plano para o estabelecimento de um Estado palestino, porém Yasser Arafat rejeitou-o. Após o colapso das negociações, começa a Segunda Intifada.
Ariel Sharon se tornou o novo Primeiro-Ministro em 2001 durante uma eleição especial. Durante seu mandato, Sharon realizada a seu plano de retirada unilateral da Faixa de Gaza e também liderou a construção da barreira israelense da Cisjordânia. Em Janeiro de 2006, depois de sofrer um grave acidente vascular cerebral que o deixou em coma Ariel Sharon deixa o cargo e suas competências são transferidas para o gabinete de Ehud Olmert.
Em julho de 2006, um ataque da artilharia do Hezbollah a comunidades da fronteira norte de Israel e um rapto de dois soldados israelenses desencadeou a Segunda Guerra do Líbano. Os confrontos duram por um mês até um cessar-fogo (Resolução 1701 da Organizaçõa das Nações Unidas) mediado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Em 27 de novembro de 2007, o Primeiro-Ministro israelense Ehud Olmert e o Presidente palestino Mahmoud Abbas concordaram em negociar sobre todas as questões e lutar por um acordo até ao final de 2008. Em Abril de 2008, Presidente sírio Bashar al-Assad disse a um jornal do Qatar que a Síria e Israel tinham vindo a discutir um tratado de paz por um ano, com a Turquia como mediador. Isto foi confirmado por Israel, em Maio de 2008.
No final de Dezembro de 2008, o cessar-fogo entre o Hamas e Israel acabou após foguetes serem disparados a partir da Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas. Israel respondeu com uma série de intensos ataques aéreos. Em resposta, protestos eclodiram em todo o mundo. Em 3 de Janeiro de 2009, tropas israelitas entraram em Gaza marcando o início de uma ofensiva terrestre. |